quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

Nuvens

 O céu é capaz de mudar de perspectiva dependendo do ponto de vista de quem o vê.  Neste mesmo dia - o primeiro por sinal, de um novo ano - observei o céu de dois locais diferentes. 

O mesmo país, o mesmo estado, a mesma cidade, de um mesmo mundo - redondo - o mesmo céu. Será? 

Do meu primeiro 'observatório' ,digamos assim, precisei inclinar meu pescoço para trás para ver um céu de mescla de azul, branco e cinza. Longe como sempre, calmo, comum. Nada de novo no céu do ano novo pensei! Neste momento de tão comum o céu ainda nem era crônica...mas...

Uns minutos depois, outra casa, outro ponto de vista. Apenas algumas quadras de distância, menos de um quilômetro, e quando sentei diante da piscina de borda infinita, com o horizonte numa vista de 180 graus formando um semi círculo na minha frente - provando que sim, é redondo o mundo - o céu me surpreendeu.

Mais do que a imensidão - e então o vazio de nossa pequenez - mais do que as cores num complexo e mutante fluir de cinzas, laranjas, avermelhados e brancos - já quase sem azuis - às 19:30 de janeiro no sul da América do Sul! 

Mais que tudo, minha surpresa estava nas nuvens, mais que elas em sí mas seu formato. Na minha diagonal direita, desde o alto da minha cabeça até pousar no horizonte distante, uma imensa nuvem cinza escura se partia ao meio pelo comprimento, deixando surgir ao fundo um pequeno céu azul. Ela parecia próxima - se me esticar um pouco toco? - não toco. E derrepente meu peito aperta numa agonia, uma ansiedade por não poder tocar...ela é tão linda! Tão fofa! 

Desvio os olhos um pouco para à esquerda onde nuvens brancas pequenas bordam o céu de fundo ainda azul. Suas bordas laranjas mudando de cor rapidamente. 

Baixo os olhos para a água a minha frente. Sigo o olhar da borda da piscina para o horizonte. O vale lá em baixo, e do outro lado, a borda do meu mundo nesse momento é o morro do Cristo. É o ponto alto do outro lado da cidade, braços abertos, branco ao redor muito verde, e uma única árvore mais alta, meio pendida para à direita, sua copa redonda, deixando vazar o céu por trás de sí.  

E então pensei comigo mesma. Quem nos olha lá de cima agora? Pra além das nuvens, alguém nos observa? Quem cuida da gente aqui? Será que alguém cuida? 

E então meus olhos vagaram rápidos por todo céu e ali, diante de mim, entre as nuvens brancas bordado o céu e a gigantesca cinza escura, uma nuvem cinza clara formava uma imagem. Me lembrou um homem, roupa longa, como se fosse um santo. Por afinidade da minha mente associei ao Monsenhor João Benvegnu - a figura lembrava - mas no meu coração lembrei de imediato de meu avô. Do mundo do céu - que não sei se é redondo, se tem piscinas ou nuvens - é a pessoa que mais amei. 

E então, sorrindo, imediatamente repondi a minha própria pergunta: sim, alguém cuida sim! 


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