quarta-feira, 9 de dezembro de 2020

Olhos azuis acinzentados

 Os olhos azuis acinzentados gritam beleza cravejados em um rosto roliço de bochechas salientes. O cabelo ocre e ralo dá sinais de estresse emoldurando o rosto cansado, que se mantém firme sobre um corpo desproporcional que balanceia cocho para o lado direito. O peso em excesso cansa as pernas curtas e os pés pequenos. 

No conjunto um projeto criado para encantar com seus olhos azuis acinzentados. Na prática, pobres olhos perdidos num emaranhado de massa cansada, que briga para se sustentar sobre os pés! 

segunda-feira, 6 de abril de 2020

Na noite escura

Devaneios

Na solidão da noite escura todos os pensamentos crescem, ganham formas extraordinárias e se tornam tão imensos que são capazes de nos engolir. Assim como morcegos e vampiros, se aproveitam das sombras, do breu, para abrir os olhos e virarem gigantes.
Sejam bons ou ruins, sensatos ou não, os pensamentos à noite parecem incapazes de se apequenar e muito menos de dormir. No silêncio absoluto eles vagam numa realidade paralela. À noite nossos maiores medos aparecem para discutir a relação, querem desenvolver suas teorias, dialogar sobre acontecimentos e analisar os passos futuros!
No meio da escuridão, por vezes, são os nossos maiores sonhos que chegam pra festa, colocam sorriso nos nossos rostos ocultos sob a falta de luz, e as deslumbram em nossa imaginação em projetos mirabolantes, em histórias incríveis e em energia para dar rumo novo ao dia que vai começar! Parece que tudo será possível quando o dia chegar...
Também nas sombras da noite escura aparecem memórias, por vezes com lágrimas e nostalgia, As vezes arrependidas por vezes felizes.
Mas o certo é que todos os pensamentos ocultos nas madrugadas já não são os mesmos quando o dia volta a raiar. Como criaturas ocultas nas trevas eles se dissipam com o primeiro raio de sol, e toda dor se perde, toda a angústia se vai, todas as atitudes friamente calculadas no calar da noite são completamente esquecidas. Na aurora morrem também os planos astutos para a realização dos sonhos, as boas iniciativas que planejamos passo a passo no anoitecer.
Como uma chuva de realidade, como luz no fim do túnel, como um empurrão do universo para te manter agarrado aos afazeres do dia a dia comum de qualquer cidadão... o dia vem te tirar tudo o que a noite permitiu florescer dentro da sua imaginação... como que para manter a ordem das coisas, o dia trás o bom senso da necessidade de levantar, se arrumar, comer, trabalhar... enfrentar cada hora do dia com seus planos pré agendados, pré destinados e organizados. Um corre corre que te impede de pensar em tudo que for mais profundo... e então... você deixa pra trás, debaixo do travesseiro, emaranhado nos lençóis todos os anseios como se nada tivesse passado pela sua cabeça... e abre os olhos para um nove e lúcido dia de sol!

segunda-feira, 23 de março de 2020

Na memória!

Quando o primeiro caso de Covid19 surgiu na nossa pequena cidade, eu pensei imediatamente nos meus avós! E em como devemos protegê-los de tudo isso. Ao longo do dia exaustivo de trabalho, pensei neles o tempo todo. Ansiosa para vê-los, mas sabendo que não poderia tocá-los. Resolvi trocar a visita pela ligação ao final do dia.

Nos minutos ao telefone dei severas recomendações. Minha avó com a voz embargada exclamava “Meu Deus...meu Deus! Mas vamos rezar, e ficar em casa, vai ficar tudo bem”. O medo se transforma em fé absoluta, e tem uma beleza indescritível nessa força e nessa coragem que vem dos seus 80 anos de vida. Pouco antes de encerrar a conversa, eu no topo dos meus 30 anos, disse firmemente “A coisa é muito séria vó! Eu nunca, nos meus 30 anos, vi nada igual! Nunca imaginei que algo assim pudesse acontecer!”. Acreditando no impacto das minhas palavras e na força dos trinta anos de experiências... recebi como resposta uma frase que nunca havia ouvido antes! “ Mas eu, nos meus 80 também não!”
E nesse momento eu percebi que vivíamos um momento único. Uma situação maior que os meus 30 e que os 80 da minha avó... maior do que qualquer humano poderia imaginar!

No dia seguinte, encomendei as comprar do mercado pela internet, as minhas e as deles. Solicitei a entrega na casa dos meus avós e me desloquei até lá para buscar a minha parte das compras e para pagar.

Apenas uma quadra separa nossas casas. Fui tomando todos os cuidados, levando comigo uma toalhinha descartável e um desinfetante em um borrifador spray. Quando cheguei o portão da casa estava trancado, abri com a minha chave e entrei. Dali já podia ver, através do vidro da porta da frente,  o topo da cabeça do meu avô sentado na cadeira ao redor da mesa da cozinha. Quando me viu, ele abriu a porta sorridente. Minha avó sentada ao seu lado também sorriu e eles me convidaram para entrar! Naquele momento eu tive que ser forte para negar o abraço, o beijo carinhoso. Entrei mantendo distância, sem encostar em nada. Fiquei de pé o tempo todo, e conversei a distância.

Logo optamos por ir para a varanda da casa, um local mais arejado, relativamente longe da calçada. Meu avô sentou em uma cadeira, minha avó em outra. Eu sentei no chão longe deles e minha mãe que mora no andar de baixo, havia subido e também estava sentada no chão longe de mim e deles. Essa cena causava estranhamento pela distância entre nós, ver-nos assim despertava dúvidas infinitas sobre o momento que vivemos e sobre o futuro próximo. Mas nada traria mais realidade pra aquele momento do que a chegada das compras do mercado.

Meus avós já acharam engraçado poder fazer as compras pelo celular. E estavam prestes a buscar o dinheiro quando eu disse que pagaria pelo cartão para não terem que mexer no dinheiro. Quando a kombi parou na frente de casa eles se levantaram, eu pedi que mantivessem distância. Quando o entregador desceu com duas caixas, luvas nas mãos e máscara no rosto, meus avós paralisaram, olhavam com ar de incertezas. Pela primeira vez, o que a dias eles viam apenas na TV  , estava acontecendo ali, na varanda da casa deles.

Retirei as coisas das caixas pedindo para que eles não encostassem em nada. Paguei com o cartão e o entregador saiu. Seguindo seus passos eu fui desinfetando tudo, as maçanetas, e por fim as compras. Quando comecei a passar o pano com desinfetante nas compras, pude ver o olhar incrédulo deles. A surpresa, o medo, a incerteza. Parados na soleira da porta eles tinham os olhos estalados, úmidos por trás dos óculos de grau. O silêncio pairava no ar. Me olhavam sem nada dizer. Como se fosse necessário o mais absoluto silêncio para absorver aquele momento inacreditável de filme de terror.
As frutas colocadas na cuba da pia da cozinha, mergulhadas na mistura de água e água sanitária. As embalagens limpas sobre a mesa. Tudo aquilo trazia uma atmosfera de apocalipse.

Nesse ato simples, nessas coisas do cotidiano profundamente alteradas pela presença do inimigo invisível, é que se percebe a força do que estamos enfrentando.

O que vi no olhar deles nesse dia, jamais sairá da minha memória! Foi único! Foi intenso perceber que mesmo com toda a vida que já passou pelos seus olhos, mesmo com tudo o que já viram e vivenciaram, o simples ato de fazer compras pudesse causar tanta estranheza.

Sem beijos e sem abraços me despedi com um “Eu amo vocês!” E com a certeza de ter cumprido meu dever naquele dia e naquele momento!

sábado, 21 de março de 2020

Pânico - Ele está entre nós !

Era uma quarta feira como outra qualquer na pequena cidade simpatia. Pouco mais de 15.000 habitantes seguindo suas vidas nas entranhas do Rio Grande do Sul. Num cantinho cercado por morros de todos os lados, a sensação de segurança pairava no ar.

As crianças corriam pelos corredores das Escolas ao som do sinal para o recreio. Os trabalhadores a passos largos entravam e saíam de seus postos de trabalho. As donas de casa se envolviam com as panelas para o almoço. Os jovens ocupavam as praças. E os idosos se divertiam em rodas de chimarrão nos Postos de Combustível, ao redor das mesas de jogatina nos botecos, e tomando sol em grupos nos bancos da praça. Tudo seguia seu curso natural... apenas um dia qualquer!

Sabedores da situação do coronavírus em outras localidades do país, os Serafinenses humildemente acreditavam que nada tiraria a paz das nossas ruas amáveis e dos nossos lindos Castelos.

O que ninguém sabia era que já a cerca de uma semana, o inimigo nos rodeava. Aderindo aos objetos aqui e ali, passando no aperto de mãos dos conhecidos, no amigável tapinha nas costas. Seguindo viagem nos trocos guardados nas carteiras, e aos poucos ocupando espaços por todo lugar. Desonesto o vírus que ataca pelas costas, silencioso, potente, invisível.

Mas naquela quarta feira, para nós, o vírus ganhou um nome e um rosto. Itelvino Mezzomo, o senhor de 63 anos conhecido por toda a comunidade, passou a ser a imagem do vírus entre nós! Internado em estado grave, travando uma batalha pela sua própria vida, ele trouxe o pânico e acendeu o sinal de alerta na nossa comunidade .

Repentinamente não éramos mais pequenos, não éramos mais um município simpático e esquecido. Éramos, em poucas horas, mais uma estatística. Mais um caso. Mais um número no painel do Coronavírus. O primeiro caso da região.

E desde então deixamos de ser quem somos, para fazer parte de um filme de terror. Uma filme de guerra. Uma luta travada contra um inimigo mortal, que nos torna frágeis e vencíveis. Mas também uma dura batalha contra a ignorância, contra a estupidez, contra o descaso e o egoísmo que matam antes mesmo do vírus!

Apavorados correram as compras. Alguns com máscaras, outros com luvas. Avançaram no álcool gel.  Buscaram não se aglomerar, mas se abraçaram nos amigos. No mercado só um por vez pode entrar, mas na fila de espera se tocam e se empuleram. Os idosos, como grupo de risco, ao invés de se fecharem em casa atendendo ao apelo dos sistemas de saúde, correm aos habituais pontos de encontro para conversar com os amigos sobre o Sr Itelvino. E assim... na contramão das orientações, se expõem ao risco.

Com lágrimas nos olhos fechamos nossos comércios. Nos retiramos em nossas casas sem saber quando e como poderemos voltar.


Pré Pânico

Já a algum tempo decidi, pelo bem da minha sanidade mental, manter distância da realidade do nosso país! Não porque não me importe, bem ao contrário, as dores das injustiças e dos discursos e atitudes ignorantes que tomaram conta do cenário nacional são tão desesperadoras que me apertam o peito, me dói na alma. E cansada de tentar, sem sucesso, compreender e aceitar certas atitudes do nosso povo e dos nossos governos, optei por distanciar-me para evitar um colapso! Assim, o que os olhos não veem o coração não sente e fico na lamentável ignorância dos fatos, acompanhando com distância saudável uma que outra notícia que inevitavelmente acaba passando pelas minhas mãos. 

Sendo assim, quando o mundo voltou os olhos pra situação da China com seu organizado e incrivelmente ágil sistema de construção de Hospitais para a contenção do, na ocasião, controverso Coronavírus, eu na minha bolha de proteção, vi apenas pequenos lances em redes sociais. Claro que me chamou a atenção a construção em tempo recorde dos hospitais e de igual forma o avanço desse novo vírus, que arrebatava com tanta seriedade a vida e a rotina das pessoas. 

Meu primeiro pensamento frente a situação foi.: “O que esse vírus tem de tão diferente para causar tanto pânico?! E reações tão complexas por parte dos Chineses ?! “ Minha inquietação ficou sem resposta, também não busquei a fundo pela informação. Segui a corrida rotina dos meus dias sem me preocupar. 

Não tardou para o brasileiro encontrar um jeitinho de justificar o que não é capaz de entender. E então, se alastrando tão rápido quanto o vírus pelo velho mundo, se proliferavam no Brasil as vozes dos que afirmavam que o então Covid19 era uma farça, um vírus criado em laboratório pelos Chineses para mexer com a economia mundial, o que lhes traria muito dinheiro com compra de ações de empresas e dólares ! E num piscar de olhos todos se tornaram especialistas em Economia Mundial,  todos passaram a entender sobre bolsa de valores, queda do dólar, e até mesmo sobre a crise financeira da China! 

Esbravejaram por dias suas teorias baseadas no achismo, em textos, vídeos e áudios disseminados a revelia por grupos de WhatsApp e redes sociais! 

Enquanto isso...O vírus ganhava as ruas, ultrapassava fronteiras, entrava na vida das famílias em todos os cantos do mundo. E assim, invisível aos olhos, foi tomando conta do cenário mundial e chocando aqueles que duvidaram da sua força e da sua capacidade! 

Não tardou para os cientistas desmentirem o bla bla bla de “vírus criado em laboratório”. E a luz da ciência nos mostrar que o Sr. Coronavírus - Covid19 não é nada mais nada menos que uma mutação de um vírus que até então se manifestava apenas em animais silvestres! Essa descoberta cala os ignorastes (alguns... porque sempre tem os que insistem em crer que sabem mais que a ciência), mas não contém o avanço indescritível do vírus! 

Na minha pequenez, segui lamentando as perdas e acompanhando de longe, em lances aqui e ali, o desenrolar de tudo. Pensando que não temos no Brasil um sistema de saúde com a estrutura dos demais países previamente afetados e que mesmo equipados estão em colapso. E naqueles momentos de egoísmo que assola todos os seres humanos, me vi agradecendo por viver numa cidade pequena, aparentemente distante do mundo hostil, distante das mazelas. Pouco vulnerável ao que vinha acontecendo mundo a fora. Mas... não há lugar pequeno ou isolado o suficiente para um ataque daquilo que não podemos ver! 

E então... ele chega aqui. Sim, chega ao Brasil pelas nossas sempre escancaradas fronteiras. Adentra o país como um cidadão qualquer, invade nossas terras, e toma nossas riquezas mais preciosas, toma nossas vidas... nos tira o direito de ir e vir, e nos aprisiona em nossos lares sem hora para sair! 


terça-feira, 2 de abril de 2019

Auto olhar

Tantas fui e sou que por vezes nao sou capaz de me encontrar em mim. Outras vejo sem tempo ou autoanalise, as vezes vejo e sinto...sinto força que não conhecia, sinto fraquezas que nao sabia. Sinto felicidade que emana sem sorriso ( porque é tao profunda que não se superficializa) e tantas vezes emito sorrisos que carregam tristeza! Parece estranho mas é assim...
Já fui a pequena indefeza, a adolescente de salto alto e barriga de fora, fui também a de ALL star e cara lavada! Fui a trabalhadora correndo as ruas pra não perder a hora, e a estudante sem pressa de chegar!
Fui ansiedade nas descobertas e nunca soube ser paciência ao chegar.
Fui a mulher jovem dona de si, das unhas vermelhas, do cabelo arrumado, da maquiagem na cara...da festa que vira a noite, do funk até o chão e do flash back! Da conversa boa, da não tão boa assim, da companhia farta e do coração vazio. Tantas e tantas fui...e sou...afinal não é possível deixar de ser!
Bom tempo?! E o que se vive no presente, no hoje, aquele agora tão gostoso de se ter, aquele que é tudo que fui e aquele que somará  no meu eu do dia de amanhã...

segunda-feira, 25 de março de 2019

Gosto de todos os cantinhos, de cada comodo, de todos os móveis e de sua disposição! Gosto da grama verde que toma conta do pátio e da pitangueira enorme que reina absoluta no centro de tudo!
Gosto na cor das paredes, do piso de madeira e das marcas que o tempo deixou!
Amo a luz da manha que entra leve pelas janelas enormes e inunda a casa com seu doce bom dia!
Gosto do sol da tarde que aquece os quartos, e trás um gostinho de fazenda em dia de verão!
Amo sobretudo o nós que habita esse espaço e que torna tudo real e incrível!
Gosto dessa manhã de segunda, quando da janela vejo o céu completamente azul, apenas duas nuvens em tons cor de rosa claro, passeiam emolduradas pela janela...e como um desenho divino, ao lado da cruz que fica na ponta da torre da igreja, é possível ainda ver a lua! Com seus contornos fracos pelo fervor do sol...quase uma marca d'água no céu de outono!
E temos a certeza de mais um motivo pra agradecer o universo pela perfeição que é viver um lindo dia de sol!

segunda-feira, 1 de outubro de 2018

Importância

Você desacredita da vida quando percebe que um mundo de pessoas odeia a pessoa que você é. Você tem medo do rumo da humanidade quando vê tantos lutando contra os teus direitos...é um turbilhão de palavras rudes, doentes e preconceituosas que ferem a alma. Dói na carne...Dói.
A coisa ta tão difícil que hoje o meu  direito de dormir, de descansar pra uma nova semana que se inicia é menor que o direito de um gato de miar... É... Nessa hora você só consegue pensar... Pra que serve viver mesmo?!
Vivemos tempos difíceis. Minha cabeça não ta sabendo lidar.
As coisas importantes parece que perderam a importância.
Nessa vida que é de pesar já não quero paciência...não...eu cansei de lutar. Quero paz no coração. Silêncio...e quanto a vida, se assim, não necessita de ser longa...que seja apenas suficiente....e sem dor.
Boa noite!

quinta-feira, 8 de março de 2018

SOBRE ELA

Esses seres involuntariamente controlados por uma montanha russa de hormônios por muitas desconhecidos, é indecifrável, incontrolável e forte na mesma medida em que é frágil. De emoções delicadas e mente obstinada é impossível colocá-las em um único texto, inconcebível descreve-las em meras palavras.

Não há matemática quando o assunto é mulher. Qualquer teoria, lógica ou esquema pré concebido é completamente inútil frente ao mundo que reside dentro de cada mulher. Generalismos não cabem. Cada mulher é seu próprio mundo. Então... Eu vim para falar apenas de uma...apenas de um desses mundos. Não que eu tenha qualquer direito ou capacidade suficiente para defini-la ...mas eu amo tanto, que vim usar desse amor que meu mundo particular tem pelo mundo dela, para tentar dizer um pouco.

A mulher que amo tem um jeito de menina moleca. É livre, solta, leve. Tem uma carinha de sapeca e um gostinho de manhã de primavera. Assume o papel de mulher de 30 com a mesma desenvoltura que retorna dengosa aos 20.

A mulher que eu amo é inteligente, perspicaz, é vaidosa sem extremismos. Tem apego aos seus dois banhos diários, ao perfume e a roupas... ;) É macia e doce. É linda como uma mulher tem que ser...cuidadosa consigo mas sem mimimis e exageros.

Prática com seus cabelos curtos e seu sorriso fácil. Das coisas que mais amo nela está a capacidade de sempre me fazer rir, de deixar os dias frescos e transformar tudo que toca em brisa de outono. E quando quer algo...ahhh como é dolorido dizer não. Ela faz carinha de choro, me abraça, faz dengo...e eu me derreto...e aí ela já tem o que quer (antes que dê febre).

A mulher que amo é motoqueira mas não curte viver perigosamente. É um leão por sua beleza, é fera quando amante, mas é completamente inofensiva aos seus. Gentil, sutil, amável, incomparável...mulher que sabe como tratar outra mulher. Dona de um amor que transborda, doa-se aos outros, incapaz do não. Faz mais do que pode. Ama os animais a todo custo e de todas as formas.

Dedicada as pessoas, aos animais, aos propósitos, ao amor. Sempre pronta para o que der e vier. Forte.

A mulher que amo completa todas as minhas lacunas. Eu cozinho, ela limpa, se  estou doente ela me cuida, se faço dengo me dengueia. Se invento moda ela adere, se quero uma aventura ela é parceira. Temos nosso próprio vocabulário, nosso próprio pensar. Parceria é o que de fato define esse nosso conviver. Dividimos os mesmos propósitos e optamos pelos mesmos hábitos, gostamos das mesmas coisas e compartilhamos dos mesmos objetivos.

Ela é encantadora de camisa e óculos pronta para sair para jantar, assim como é  linda de pijama tomando sopa e vinho no sofá. De boné, de All Star, de camiseta. Com suas tatuagens que amo olhar. De todas as formas é única, é o mundo que admiro.

E além de tudo ela ainda é uma mãe incansável. Quem dera o mundo tivesse mães como ela. Essa mãe, pula da cama antes de todos para garantir comida nos sete potes da casa sempre no mesmo horário. Afaga todos os gatos quando entra em casa, esconde as suas artes e pula da cama diante de qualquer miado suspeito. Dorme torta na cama para garantir o conforto de cada bolinha de pelo que se aninha sobre ela. Ela é tão, tão, tão encantadora...tão doce... lá em casa somos todos apaixonados por essa luz, essa força, essa pessoa maravilhosa que encanta nossos dias.

E hoje, nesse dia que é meu, é dela é de todas as mulheres, eu agradeço por ter você na minha vida. Ao meu lado. Somando. Crescendo. Sendo.

Obrigada por ser esse mundo e por caber no meu :)

Feliz dia da Mulher meu amor!

Amo você!


quinta-feira, 16 de novembro de 2017

As crianças mandam os adultos obedecem!

Ás 11 horas da quinta feira 16 de novembro de 2017. O pós feriado lota os bancos, lotéricas e claro..os correios. Mas mesmo sabendo da possibilidade de uma fila extensa, caminho decidida até o Correio. É apenas uma quadra, então chego rapidinho no local com meu envelope em baixo do braço e rezando para que a espera não seja longa. 

Adentro as portas e retiro a minha senha, 69. Sento. Olho para o painel eletrônico que pisca a senha de número 63. Cinco pessoas na minha frente. As cinco pessoas em questão estavam todas sentadas atras de mim, nas duas filas de três cadeiras cada. A sexta cadeira estava ocupada pelo cônjuge de uma das pessoas que tinha senha. Sendo que restavam no correio apenas duas cadeiras, ambas prioritárias, ao meu lado direito. 

Logo atras de mim entra no correio um casal de senhores. Ele um homem baixinho, magricelo, moreno de poucos cabelos, chinelos nos pés e mãos visivelmente judiadas de trabalhar com a terra. Segurando sua mão direita está uma menininha de mais ou menos quatro ou cinco anos, cabelos lisos puxados para trás em um rabo de cavalo, com tic-tacs coloridos garantindo que nem um fiapo escape do lugar. No ombro pende uma bolsa cor de rosa escuro em formato de boca exibindo a marca Barbie, que compõem perfeitamente com o vestido rosa mais claro que vai até os joelhos terminando num babado delicado. Nos pés sandalinhas no mesmo tom do vestido. Segura a outra mão da menina, uma senhora morena, com os cabelos presos de qualquer forma, sacolas de mercado nas mãos. De bermuda de malha até os joelhos, chinelos nos pés. Assim como o marido, a senhora tem mãos ásperas, dedos grossos e unhas por fazer.

Param os três na porta, contam as pessoas na espera, entreolham-se, calculam o tempo, cochicham e decidem por esperar. Então, o senhor larga a mão da menina e se dirige até o dispenser de senhas. Retira duas senhas e se senta ao meu lado deixando uma cadeira vaga entre nós. Imediatamente a menina corre para a cadeira vaga e se espichando toda, consegue sentar-se. O homem olha para a menina e diz: "Deixa a vó sentar!". A menina ecoa um sonoro e claro "Não", e vai abrindo sua bolsa de boca para ter acesso a seus pertences. A avó que em pé estava em pé ficou, carregada com suas sacolas. 

Indignada  com a cena pensei em levantar-me para ceder o lugar para a pobre senhora, mas logo desisti diante da falta de educação da criança. Esses pensamentos rondavam minha mente quando a criança olhou de lado para mim, meus olhos em fúria fizeram a menina deslizar para o lado do avô até se encostar nele. Nesse momento o avô passou o seu braço esquerdo por sobre os ombros da menina no intuito de abraça-la e novamente ouviu-se um sonoro "não"... seguido de um empurrão no braço do senhor. 

Estarrecida voltei a olhar para a menina com olhos incrédulos e - talvez - ameaçadores o que fez com que a menina - até que enfim - se levantasse da cadeira. Ela caminhou até a avó e ordenou: "Senta lá". A avó que até então estava de pé em posse de suas sacolas, sentou-se ao meu lado. Apoiou as sacolas no chão e gentilmente ofereceu colo para a neta. Mais uma vez o "não" ecoou pela sala dos correios e posteriormente o silencio tomou conta do ambiente.

Baixei a cabeça e me pus a pensar... o que significa isso?! Que futuro terão essas crianças?! Ou melhor...que futuro teremos nós nas mãos desses seres que parecem ter vindo ao mundo com um chip no lugar do coração?! Mini maquinas que nascem capazes de dominar Smartphone mas são incapazes de demonstrar compaixão, respeito e educação.
Fiquei ali, esperando a minha vez e agradecendo aos céus pelos meus oito filhos de quatro patas....porque quanto mais eu conheço as pessoas...mais eu admiro, respeito e amo os animais.