Últimos dias de março e não tivemos águas fechando o verão, nem tão pouco o costumeiro ventinho que começa soprar para tombar as folhas secas das árvores.
O outono oficialmente já começou, mas o calorão atípico faz o suor correr e ensopar as roupas nestes abafados dias. Mas quando o sol se vai e a noite chega a surpresa de não termos nem uma folha se mexendo, mantém as noites quentes e gostosas...com doces ares de verão.
São praticamente dez horas da noite e me sinto muito feliz em estar deitada na rede no alpendre atrás de casa. Se baixo o pé direito tenho a pedra bruta sob meus pés, mas se baixo pé esquerdo toco a grama bem aparada do quintal. Que paz.
Uma luz acesa para iluminar de forma tênue o ambiente, o chimarrão na mão, e diante dos meus olhos meu cenário preferido...a três marias arbustiva repleta de flores cor de rosa, o gramado, o pé de platano ainda repleto de suas imensas folhas e ao fundo a cerca completamente escondida pelos quatro pés de três marias na versão trepadiera.
Eu amo esse pátio. Amo saber que todo o verde aqui foi plantado e cultivado por nós. É como um pequeno legado de vida posta na terra.
Mas o que me deixou mais encantada nesta noite quente foi como ela me transportou para a minha infância. Naquela época minha alegria eram as noites de calor, poder sentar na varanda da casa de meus avós e ficar lá até muitooo tarde.
As conversas, os vizinhos, as pessoas que passavam na frente de casa. Eu amava ficar ali. Tinha um quê de liberdade poder estar fora de casa até tarde. Nunca fui brincar na rua nem nada disso, pois não haviam crianças nas redondezas. Mas apenas estar na roda do mate, ouvindo os adultos já era o paraíso para mim.
Eram assim as noites de fim de novembro, dezembro e janeiro. Mas depois o mundo se fechava com o pôr do sol. O ventinho começava a soprar nas noites e a porta de casa se fechava, as conversas davam lugar a TV e o mundo parecia outro.
Nesta época do ano a vida noturna lá fora eu só via através da janela. E lembro como isso me entristecida...era como se as noites de calor fossem sinônimo de cheiro de flor, passeios, liberdade, leveza. E o frio uma prisão e suas doenças.
Hoje o frio já não me adoece, e também não é mais tão severo como antigamente. É até gostoso em certa medida...mas esse gostinho de uma noite super quente fechando março é um abraço pro coração. Um verão que invade o outono e me faz pensar que hoje eu que mando em minhas portas...e que é bom poder estar fora e curtir um pouquinho mais a liberdade das noites quentes.
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